VIII
Desânimo


Ergue-se pálida uma voz doirada:
"Que de uma minha recusa a substância
não tomais como mesquinha arrogância
ou como afronta alguma disfarçada,


que seja, brindarei, mas enfastiada.
Dos risos vossos e exuberância
não partilho. Não... sinto apenas ânsia.
Estou longe, como que enfeitiçada.


Da salada o refinado tempêro
perde o seu sal no mar da minha alma,
que todo o condimento em mim é zero.

Já nem tento saborear. Maçã, pêro,
alimento qualquer - nenhum me acalma
o paladar ensosso em exagero."